As almas são meros atrelados de um sólido disforme que rumina vontades e angústias sobre si mesmo, arrastando-se para superfícies untadas de bem-estar, temperatura e consciência. Uma pastosa forma de banhar as ânsias, afogar as razões. Pasta essa, derivada dos outros sólidos, aglomerados num pretenso acordo implícito de amizade, amor, e outros adjectivos fúteis, garantindo a sobrevivência de egos-hélices responsáveis pela efusão interna. Personalidades mais não são que impulsos amadurecidos com os anos, folhas do caule que foi a infância, utilizadas para dissimular. Conversas, trocas de rastilhos, expectativa no ricochete. Satisfações via disfarces, um baile de máscaras em que se aprecia discretamente os esplendores de outrém.
Capturados na dança, sem terra firme sob o pé, até não haver mais braços.
Falsos castelos na areia, desmanchados quando se muda de praia.
À formulação dependente de contexto condenada espécie humana.